ANEXO III - PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCOS EM MÁQUINAS INJETORAS DE PLÁSTICO

Princípios gerais
1. O ser humano e o seu bem-estar são o referencial que move todo este trabalho;
2. O não-ingresso do homem na área de risco deve ser buscado incessantemente e, sempre que possível, implementado;
3. O ingresso à área de risco somente pode ser admitido com a adoção das seguintes medidas de segurança:
3.1. Acesso pela abertura de proteções móveis, dotadas dos dispositivos de segurança mínimos, abaixo especificados, ou pela remoção de proteções fixas, para acessos esporádicos (por ex. para manutenção, lubrificação, etc.).
3.2. Treinamento dos trabalhadores e controle periódico da manutenção das máquinas após a instalação dos equipamentos de segurança.
Objetivo e aplicação
4. Objetivo
O presente anexo tem como objetivo a proteção do operador das máquinas injetoras (horizontais ou verticais) para termoplásticos e termofixos. Não se aplicam às máquinas de operação manual e fechamento mecânico.
5. Terminologia (ver NBR 13.757)
5.1. Máquina injetora
Máquina injetora é a utilizada para fabricação descontínua de produtos moldados, pela injeção de material plastificado no molde, que contém uma ou mais cavidades, em que o produto é formado.
NOTA: Esses produtos podem ser moldados em termoplásticos ou termofixos. A máquina injetora consiste, essencialmente, da unidade de fechamento, unidade de injeção, sistemas de acionamento e comando.
5.2. Unidade de fechamento
Unidade que compreende o mecanismo de fechamento, as placas fixas e móvel e a zona definida como área do molde.
5.3. Área do molde
Zona compreendida entre as placas onde o molde é montado.
5.4. Área de risco
Área de risco é toda a zona externa ou interna à máquina que coloca em risco a saúde e segurança de qualquer pessoa.
5.5. Mecanismo de fechamento
Mecanismo fixado à placa móvel, para movê-la e aplicar a força de fechamento.
5.6 Unidade de injeção
Unidade responsável pela plastificação e injeção do material no molde, através do bico.
5.7. Circuito de comando
Circuito que gera sinais de comando necessários para o controle de operação da máquina.
5.8. Circuito de potência
Circuito que fornece energia para operação da máquina.
5.9. Dispositivo de segurança
Dispositivo que impede o movimento de risco, na área associada a uma proteção, quando esta estiver aberta.
5.9.1. Segurança elétrica
Dispositivo que detecta a posição de uma proteção e produz um sinal que é usado no circuito de comando.
Pode ser composta por um ou dois sensores de posição (fins de curso, sensores de proximidade, etc).
5.9.2. Segurança hidráulica
Sistema que deve atuar sobre a unidade de potência, impedindo o movimento de fechamento da máquina injetora, quando a proteção que o comanda estiver aberta, através do desvio do fluxo de óleo para tanque.
5.9.3. Segurança mecânica
Dispositivo que, quando acionado pela abertura de uma proteção, impede mecanicamente o movimento de fechamento da máquina injetora.
5.10. Distância de segurança
Mínima distância necessária a impedir o acesso dos membros superiores à zona de perigo, medida a partir de uma proteção. (ver NBR 13761).
5.11. Movimento de risco
Movimento de partes da máquina que pode causar danos pessoais.
5.12. Proteções (portas)
Proteções são dispositivos mecânicos que impedem o acesso às áreas dos movimentos de risco. Para que cumpram efetivamente sua função, devem obedecer os requisitos da norma NBR 13761. Podem ser:
5.12.1. Fixas
São aquelas fixadas mecanicamente à injetora, cuja remoção ou deslocamento só é possível com o auxilio de ferramentas. Nas proteções fixas os dispositivos de segurança são desnecessários.
5.12.2. Móveis
As proteções móveis impedem o acesso à área dos movimentos de risco quando fechadas, podendo porém ser deslocadas e permitir então o acesso a esta área.
As proteções móveis, em função dos dispositivos de segurança aplicados, podem ser classificadas em:
Nível 1 - Proteção móvel, sem dispositivos de segurança.
Nível 2 - Proteção móvel dotada de segurança elétrica, com um sensor de posição.
Nível 3 - Proteção móvel dotada de segurança elétrica, com dois sensores de posição, que devem ter acionamento simultâneo, isto é, os dois sensores deverão estar monitorando simultaneamente a posição da proteção (porta), em qualquer posição de seu curso de abertura. O funcionamento correto dos sensores de posição, ou seu efeito na unidade de comando, deve ser monitorado pelo menos a cada ciclo de abertura da proteção móvel, de tal forma que uma falha destes seja imediatamente reconhecida e o movimento de risco impedido, isto é, se um dos sensores de posição estiver mal acionado ou quebrado, a máquina deve reconhecer a falha e interromper o movimento de risco.
Nível 4 - Proteção móvel dotada de segurança elétrica com dois sensores de posição e segurança mecânica.
Nível 5 - Proteção móvel dotada de segurança elétrica com dois sensores de posição e segurança hidráulica.
Nível 6 - Proteção móvel dotada de segurança elétrica, com dois sensores de posição, segurança mecânica e segurança hidráulica.
OBS 1: A seqüência dos tipos de proteção indica seu grau crescente de segurança, por exemplo, uma proteção do Nível 4 é considerada mais segura que uma proteção do Nível 2.
OBS 2: Os sensores de posição devem estar dispostos de modo protegido a fim de impedir sua neutralização involuntária. Recomenda-se a utilização de uma caixa de proteção, de modo a impedir o acesso acidental aos sensores.
6. Localização dos riscos na máquina injetora
6.1. Riscos mecânicos
- mecanismo de fechamento
- área do molde
- unidade de injeção
- área da descarga de peças
6.2. Riscos elétricos
- unidade de injeção
- painel de comando
6.3. Riscos térmicos
- unidade de injeção
- área do molde
6.4. Riscos químicos
- unidade de injeção
- área do molde
6.5. Riscos gerados por ruído
6.6. Riscos de queda
- unidade de injeção
- piso escorregadio ao redor da máquina
7. Dispositivos mínimos de segurança obrigatórios
7.1. Proteções para área do molde
7.1.1. Na área do molde devem existir proteções móveis do Nível 4 (portas frontal e traseira). Essas proteções devem ser construídas de forma a reter qualquer material expelido na unidade de fechamento, isto é, as proteções não podem ser construídas com material perfurado, que permita, por exemplo, a passagem de material plástico espirrado do molde.
7.1.1.1. A proteção do lado, em que não é possível o comando da máquina injetora (lado traseiro), poderá ser do Nível 3 e, nesse caso, quando da abertura da proteção, o acionamento do motor principal da máquina deve ser interrompido.
7.1.1.2. Devem existir proteções fixas complementares para a área do molde, quando necessário, para respeitarem as distâncias de segurança, definidas na NBR 13761, por exemplo, fechamento superior.
7.1.2. A posição aberta de uma proteção móvel da área do molde deve impedir todos os movimentos da unidade de fechamento e a função injeção. Pode-se admitir o movimento de abertura do molde, com a porta de proteção aberta, quando não for possível o acesso à parte posterior (traseira) da placa móvel.
7.1.2.1. O acesso aos pontos de risco, resultantes dos movimentos dos extratores de machos ou peças, deve ser impedido.
7.1.3. Quando a proteção for constituída por uma única peça, deve ser de Nível 4, com apenas um conjunto de dispositivos de segurança, se conjugada, (ao se abrir a proteção traseira, automaticamente, a frontal também é aberta) os dispositivos de segurança devem estar na proteção do lado do operador.
NOTA: Em quaisquer dos casos, admite-se a aplicação de uma proteção com segurança maior que a especificada.
7.2. Proteções para a área do mecanismo de fechamento
Na área do mecanismo de fechamento deverão ser aplicadas proteções fixas ou proteções móveis (portas) do Nível 2. Quando da abertura da proteção móvel, o acionamento do motor principal da máquina deve ser interrompido.
Se essas proteções forem constituídas por material perfurado, devem respeitar as distâncias de segurança (NBR 13761)
NOTA: Em quaisquer dos casos, admite-se a aplicação de uma proteção com segurança maior do que a especificada.
7.3. Proteções para a unidade de injeção
7.3.1. Proteção do cilindro de plastificação e bico de injeção
O cilindro de plastificação e bico de injeção devem ser dotados de proteções fixas ou móveis do Nível 1.
7.3.2. Partes móveis da unidade de injeção
As partes móveis do conjunto injetor devem receber proteções fixas ou móveis do Nível 1, de tal forma que sejam respeitas as distâncias de segurança (ver NBR 13761)
7.3.3. Área da alimentação de material (funil)
O acesso à rosca plastificadora deve ser impedido pelo respeito às distâncias de segurança (ver NBR 13761)
NOTA: Em quaisquer dos casos, admite-se a aplicação de uma proteção com segurança maior do que a especificada.
7.4. Proteção contra choque elétrico
Para que se evite o risco de choques elétricos, os requisitos das normas NR-10 e NBR 5410 devem ser respeitados.
7.5. Proteção contra quedas
Para evitar riscos de queda ao redor da máquina injetora, devem ser eliminados os acúmulos de água ou óleo, provenientes de vazamentos, nessa área.
A alimentação do funil deve ser feita através de meios seguros de acesso.
8. Máquinas especiais
8.1. Efeito da gravidade
Para máquinas com movimento de fechamento vertical, onde a gravidade pode causar o movimento de fechamento e, ao menos uma dimensão da placa for maior que 800 mm. ou o curso máximo for maior que 500 mm., esse movimento de risco deve ser impedido por restrição mecânica. Tão logo seja aberta a proteção, o dispositivo deve atuar.
8.2. Máquinas de grande porte
Em máquinas de grande porte, o acesso de todo o corpo à área do molde, representa um risco adicional, já que as máquinas podem ser operadas com pessoas dentro da área do molde. Dessa forma, devem ser previstos dispositivos adicionais de segurança em todas as máquinas onde:
- a distância horizontal ou vertical entre os tirantes do fechamento for maior que 1,2 m., ou
- se não existirem tirantes, a distância horizontal ou vertical equivalente, que limita o acesso à área do molde, for maior que 1,2 m, ou
- uma pessoa consiga permanecer entre a proteção da área do molde e a área de movimento de risco.
8.2.1. Os dispositivos devem ser previstos nas proteções de todos os lados da máquina em que o ciclo possa ser iniciado. Esses dispositivos de segurança adicionais, por exemplo, travas mecânicas, devem agir em cada movimento de abertura da proteção e devem impedir o retorno da proteção à posição "fechada".
8.2.1.1. Deve ser necessário reativar separadamente esses dispositivos de segurança, antes que se possa iniciar outro ciclo. A posição da qual os dispositivos de segurança são reativados deve permitir uma clara visualização da área do molde, com a utilização de meios auxiliares de visão, se necessário.
8.2.1.2. O correto funcionamento desses dispositivos adicionais, deve ser monitorado por sensores de posição, ao menos uma vez para cada ciclo de movimento da proteção, de tal forma que, uma falha no dispositivo adicional de segurança, ou seus sensores de posição, seja automaticamente reconhecida e impedido o início de qualquer movimento de fechamento do molde.
8.2.1.3. Em todas as proteções de acionamento automático, em que esses dispositivos estejam fixados, o movimento de fechamento da proteção deve ser comandado por um botão pulsador, posicionado em local que permita clara visualização da área do molde.
8.2.2. Onde for possível o posicionamento de uma pessoa dentro da área do molde, dispositivos adicionais, por exemplo, plataformas de segurança sensitivas ou barreiras de luz sensitiva, devem ser previstos. Quando esses dispositivos adicionais são acionados, o circuito de controle do movimento de fechamento da placa, deve ser interrompido e, no caso de proteções de acionamento automático, o circuito de controle do movimento de fechamento da proteção deve ser interrompido.
8.2.3. Ao menos um botão de emergência deve ser previsto, em posição acessível, em cada lado do molde, dentro da área do molde.
8.3. Equipamento auxiliar
O uso de equipamento auxiliar para manuseio e acesso à máquina injetora, por exemplo, esteiras transportadoras, talhas, plataformas de operação, dispositivos de retirada de peças, etc., não deve reduzir o nível de segurança estabelecido pelos requisitos anteriores.
9. Proteção para máquinas hidráulicas de comando manual
No lado de operação da máquina, devem possuir proteções de Nível 1 em toda a área de risco ( molde e mecanismo de fechamento). Proteções fixas complementares podem ser aplicadas, se as proteções móveis não forem suficientes para proteger toda a área de risco. A efetividade das proteções deverá ser conseguida através das seguintes medidas:
- respeito às distâncias de segurança conforme norma NBR 13761,
- quando aberta, a proteção frontal da área do molde deve, imediatamente, impedir mecanicamente o acionamento da válvula hidráulica de fechamento, ou
- quando aberta, permitindo acesso ao acionamento da válvula hidráulica de fechamento, deverá desviar o fluxo de óleo para tanque.
10. Treinamento
Para operar a máquina com segurança, o trabalhador deverá ter recebido treinamento.
10.1. O treinamento deverá ser de, no mínimo, 8 horas e deve atender ao seguinte conteúdo programático:
- histórico da regulamentação de segurança sobre máquinas injetoras
- direitos e deveres do empregador e trabalhador
- descrição e funcionamento de máquinas injetoras
- riscos na operação de máquinas injetoras
- principais áreas de perigo de uma máquina injetora
- medidas e dispositivos de segurança para evitar acidentes
- proteções (portas) e distâncias de segurança
- exigências mínimas segundo a NR-10, NR-12, NBR 13.536, NBR 13761 e NBR 13757
- medidas de segurança para máquinas hidráulicas de comando manual
- demonstração prática dos perigos e dispositivos de segurança em uma máquina injetora.
10.2. O instrutor, responsável pelo treinamento, deverá fornecer certificado aos participantes, responsabilizando-se pelo treinamento e cumprimento do conteúdo programático e deve atender, no mínimo, aos seguintes requisitos, que devem ser exigidos pelo contratante e a este comprovados:
- formação técnica em nível médio,
- conhecimento técnico de máquinas injetoras de plástico,
- conhecimento da normalização técnica de segurança,
- ter participado de treinamento específico de formação coordenado pela CPN,
- possuir credenciamento da CPN.
11. Selo de segurança
Os usuários de máquinas injetoras de plástico poderão solicitar um "selo de segurança", que será emitido conforme determinações e critérios estabelecidos pela CPN.
12. Verificação
Os dispositivos de segurança devem ser verificados, pelo próprio operador, a cada início de jornada e, especialmente, após a troca de molde.
13. Revisão
Os sistemas de segurança devem ser revisados a cada 6 (seis) meses, considerando-se a vida útil de cada componente. O histórico desta revisão deverá ser anotado em registro específico, sob responsabilidade da empresa.
14. Distâncias de segurança (conforme NBR 13761)
Síntese da Norma NBR 13761
Para melhor entendimento, encontram-se resumidos, abaixo, os itens que se aplicam às máquinas injetoras, da Norma NBR 13761 - "Segurança de Máquinas - Distâncias de segurança para impedir o acesso à zonas de perigo pelos membros superiores".
Para melhor entendimento e informações complementares, deve-se consultar a NBR 13761.
A referida norma estabelece valores para distâncias de segurança, de modo a impedir acesso à zonas de perigo, pelos membros superiores de pessoas com idade maior ou igual a três anos. Essas distâncias se aplicam quando, por si só, são suficientes para garantir segurança adequada.
Estruturas de proteção com altura menor que 1400 mm não devem ser usadas, sem medidas adicionais de segurança.
Os valores das tabela 4 e 5 foram definidos considerando o mesmo nível de apoio para operador e máquina. Qualquer elevação do nível de apoio do operador, por exemplo, através de colocação de estrados em volta da máquina, deverá ser considerado nas dimensões das proteções.

TABELA 1 - ALCANCE SOBRE ESTRUTURAS DE PROTEÇÃO
clique e confira!

TABELA 2 - ALCANCE AO REDOR
clique e confira!

TABELA 3 - ALCANCE ATRAVÉS DE ABERTURAS
clique e confira!

MÁQUINAS COM PROTEÇÕES (PORTAS) SEM ABAS SUPERIORES
clique e confira!

Para verificação da efetividade da proteção, baseado na tabela 1, teremos:

TABELA 4 - PROTEÇÕES (PORTAS) SEM ABAS SUPERIORES
clique e confira!

MÁQUINAS COM PROTEÇÕES (PORTAS) COM ABAS SUPERIORES
clique e confira!

TABELA 5 - PROTEÇÕES (PORTAS) COM ABA SUPERIOR
clique e confira!

15. Risco Grave
O não atendimento no prazo dos requisitos estabelecidos nos itens 7.1, 7.2, 7.3, 8.1, 8.2, e 9, passam a caracterizar condição de risco grave, o que possibilita a interdição da máquina.
16. Cronograma para a implementação das proteções nas máquinas injetoras de plástico (deve ser considerado o numero inteiro imediatamente superior).

Referências: Relação das Normas Técnicas Brasileiras (NBR) e Normas Regulamentadoras (NR) desta Convenção e neste Anexo
NBR 5410:1997 - Instalações elétricas de baixa tensão
NBR13536:1995 - Máquinas injetoras para plástico e elastômeros - Requisitos técnicos de segurança para o projeto, construção e utilização
NBR13757:1996 - Máquinas injetoras para plástico e elastômeros - Terminologia NBR13761:1996 - Segurança de máquinas - Distâncias de segurança para impedir o acesso a zonas de perigo pelos membros superiores
NR10 - Instalações e serviços em eletricidade
NR12 - Máquinas e equipamentos

Desenhos: Desenho da máquina injetora, seus componentes e dispositivos de proteção.
clique e confira!

Alcance através de aberturas
Para aberturas existentes entre proteções ou em proteções, por exemplo quando utilizado material perfurado, em função das dimensões das aberturas, as distâncias de segurança da tabela 3 devem ser respeitadas.

Exemplos de pontos em que se deve respeitar as distâncias de segurança relativas às aberturas.    clique e confira!

Identificação dos pontos de perigo em uma máquina injetora horizontal.
clique e confira!

Segurança elétrica e hidraulica
clique e confira!

Segurança mecânica
clique e confira!

 


Fonte: http://www.inpame.org.br